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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

O encantador de pessoas

Hoje vim cá dar uma dica rápida sobre um dos programas de TV que merece a tua atenção. Os fiéis leitores do blog já sabem que eu não sou propriamente perdido de amores pela TV mas hey!, ainda existem honrosas excepções. 

O nome do programa é “O encantador de cães” e…fala sobre pessoas.

Na verdade o programa é anunciado e publicitado com os cães em pano de fundo mas se tomares atenção vês que a maior parte do “tratamento” dado pelo Cesar Millan (o incrível adestrador canino do programa) é dado aos donos.

Portanto, começamos bem. Um adestrador canino que trata pessoas. Já só falta inventar um programa onde um “coach” de pessoas trata os cães.   :)

Bem, idiotices à parte, está aqui escondida uma das maiores verdades universais e uma das maiores lições de vida que eu já aprendi até hoje portanto, se só tirares uma única conclusão daqui, que seja esta:

Todos os contornos e circunstâncias da tua vida nos quais hoje te encontras foram criados POR TI, não por algo exterior a ti.

A vida que hoje está materializada aos teus olhos, foi criada pelas tuas ações no passado. Que é a mesma coisa que dizer que foi criada pelas tuas emoções do passado (as tuas emoções definem as tuas ações). Que é a mesma coisa que dizer que foi criada pelos teus pensamentos do passado (os teus pensamentos definem as emoções que tu sentes). Que é a mesma coisa que dizer que foi criada pelas tuas crenças (Os teus pensamentos surgem daquilo em que tu acreditas). Que é a mesma coisa que dizer que foi criada pelas tuas experiências pessoais + as deduções pessoais que tu tiraste dessas experiências (As crenças que tu tens estão enraizadas nas deduções que tu tiraste daquilo que experienciaste).

Conclusão: Muito cuidado com as deduções que tiras das experiências que tens.

Se tu deduzes que um problema qualquer não pode ser resolvido por ti, tens pensamentos que suportam essa crença e que te levam a ter emoções derrotistas que por sua vez te levam a agir como se efectivamente não pudesses fazer nada para mudar o resultado atual das coisas.

Deduções » Crenças » Pensamentos » Emoções » Ações » RESULTADO.

Portanto já deves ter percebido que, se por outro lado, deduzes que és tu que estás no controlo, acreditas que tens o poder para mudar o teu destino, abres caminho para os pensamentos que te levam a ter emoções positivas e cheias de energia que te levam a agir no sentido de alterar o resultado a teu favor.

Faz sentido?

Mesmo que não consigas todas as vezes levar a tua avante, é inevitável que em muitas outras ocasiões o consigas fazer e essas ocasiões, estariam condenadas se tu não tivesses deduzido que tinhas o poder para as mudar.

Faz sentido?

Mesmo nas vezes em que não conseguiste alterar as coisas, passaste o tempo a tentar, que é o mais importante, e evoluíste com essa experiência. Falhaste mas falhaste com energia positiva, não passaste o tempo armado em velho do restelo a criticar pessoas e eventos externos que nada podem fazer para alterar um problema que é TEU e que SÓ TU podes mudar.

Faz sentido?

Mesmo aquelas coisas que à primeira vista parecem não ter tido a tua influência como por exemplo um cão desobediente ou agressivo são o resultado da fórmula que expliquei acima. Quer o admitas quer não, é (ou foi) a tua atitude que te trouxe tudo o que tu tens á tua volta.

Se queres um resultado diferente do que tens neste momento tens de mudar a TUA atitude.

Se vais agir da mesma maneira que sempre agiste, vais ter os resultados que sempre tiveste.

Não será lógico?

O Encantador de Cães demonstra isto de uma forma simplesmente admirável.

Vê o programa e repara bem que, quando ele chega à casa dos clientes, eles dizem coisas como “o cão comporta-se assim porque…” e depois dão uma razão exterior a eles tipo “é uma raça agressiva por natureza” ou “ele é assim desde que isto ou aquilo aconteceu”. No fundo, tentam “desculpar” o cão pelas asneiras que faz desmarcando-se ao mesmo tempo da responsabilidade que eles próprios têm naqueles eventos.

É óbvio que o Cesar ignora estes comentários e foca-se sempre naquilo que ele sabe que está a provocar aquele comportamento no cão: A atitude do dono. Depois de resolver a atitude do dono, o cão transfigura-se…

Depois do dono corrigir a sua própria atitude, o problema do cão acaba por desaparecer por si só.
O programa de TV prova em todos os episódios que um problema nunca é externo a ti. Tu e o teu problema são indivisíveis, para o resolveres tens de te “resolver a ti” também.

Errar é humano, acusar os outros é fácil.

Antigamente havia contratos de aperto de mão que valiam mais que qualquer contracto moderno de 50 páginas. Hoje em dia está na moda fugir à responsabilidade. As pessoas aplaudem de pé quem vai para a televisão apontar o dedo e esquecem que os acontecimentos que eles relatam são sua responsabilidade também.

Em todo o lado ouvimos pessoas iradas de dedo acusador em riste.

A culpa é do árbitro, que não viu o penalty, a culpa é dos políticos, cambada de corruptos, a culpa é da crise, que não merecíamos, a culpa é do mau tempo, da conjuntura económica internacional e do cú da vizinha do quarto esquerdo. Com menos cú também se caga mulher!

A culpa é do autocarro que chegou atrasado, a culpa é do marido que chegou adiantado... A culpa é da China que nos rouba mão-de-obra, a culpa é do cão que come tudo o que sobra. A culpa é ainda da Sô. D. Adosinda e quem sabe, porque não, do malvado homem do pão.

Mas não nos iludamos meus amigos, porque a culpa é casada e fiquem já a saber que gosta pouco de coboiada! Na verdade ela é total e completamente de quem, de contente, lhe dói um dente… :)

Existe um sem fim de culpas e desculpas que inventamos para fugir às nossas responsabilidades. Seja sobre o nosso cão, sobre a nossa namorada (ou falta dela), sobre a nota miserável que tirámos no teste ou sobre o que quer que seja que se passa na nossa vida.

Elas estão de tal modo entranhadas na nossa forma de ser e são tão apoiadas pela sociedade que às vezes mesmo procurando conscientemente é difícil encontrar os locais onde estamos a usar desculpas esfarrapadas para justificar as nossas falhas e a nossa passividade. Por isso a próxima vez que tiveres um problema pensa para ti mesmo: “Que papel é que eu tive ou estou a ter no resultado final deste evento?”, “De que forma é que eu contribuí para que ele aparecesse?” e mais importante “O que é que eu posso fazer AGORA para o resolver?”. Depois de responderes a estas questões mentaliza-te do seguinte:

Se existe algo que possas fazer para resolvê-lo, óptimo! Pára de reclamar e de acusar a Tia Adosinda e vai fazer isso.

Se não existe nada que possas fazer, paciência! Pára de reclamar e mentaliza-te que isso não vai melhorar as coisas.

Se tem solução, porque te queixas? Se não tem solução, porque te queixas?

Às vezes olhamos para o nosso cão e vemos um cão agressivo, desequilibrado e mal comportado quando aquilo que existe 100% das vezes e aquilo que devíamos ver é um dono que não sabe lidar com ele. De igual forma, às vezes olhamos para a nossa carteira e vemos um pobretanas quando aquilo que existe é simplesmente alguém que ainda não decidiu ou que ainda não se motivou o suficiente para aprender a ganhar dinheiro. Às vezes olhamos para um político e vemos um corrupto, quando aquilo que existe é alguém que votou inconscientemente ou que não exerceu a sua cidadania da melhor forma.

Estás a ver a diferença entre culpar eventos externos e assumir a nossa cota parte de responsabilidade?
Tens que entender que não vale a pena arranjar desculpas e tomar de uma vez por todas as rédeas do teu destino. Se os cães fossem agressivos por natureza então eles não se comportariam de forma submissa e respeitosa com os “Cesares Millans” deste mundo. Se os pobres nascessem das circunstâncias da vida não haveria carradas de exemplos de homens que foram da sarjeta ao topo do Empire State Building, como existem. Se a culpa da crise fosse dos políticos corruptos no poder a culpa de ter havido briga entre os dois gatos que tu fechaste dentro de uma caixa de papelão, era dos gatos...

Faço-me entender?

Os cães, tal como as pessoas, sentem e absorvem a tua energia e é isso que define como eles se comportam à tua volta.

Às vezes é difícil falar sobre um conceito não palpável como a energia mas se vires qualquer um dos episódios do Encantador de cães, as coisas começarão a ficar verdadeiramente claras na tua cabeça.
Podia continuar a descrever como o programa é espetacular mas o melhor mesmo é vê-lo sempre que possas  ;)

Manda-me uma mensagem a dizer o que achaste e de que forma isso mudou a tua maneira de estar na vida.

Um abraço!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A persona - Porque é que a cobra ataca?

Hoje o título é assim a atirar para o Zen e tal. Mas não deixa de ser pertinente.


Antes de rapares o cabelo com uma lâmina de barbeiro, de te colocares na posição de lótus e meditares durante 2 meses e meio no alto do monte Abraão vejamos...o que raio é uma persona? Os Espanhóis não teriam grande dificuldade em responder :) mas para nós de que se trata?


Bem, dando a resposta gira, persona era o nome dado à máscara usada pelos actores de teatro Gregos. A sua função capital era a de dar ao actor a aparência que o papel que estivessem a interpretar exigisse.


Já estás mesmo a ver como é que isto é transportado para as relações humanas certo?


Pois.


Nos dias que correm, as máscaras da antiga Grécia continuam a ser usadas com o mesmo propósito, apenas se tornaram máscaras psicológicas e sociais.


Por uma questão de adaptação social as máscaras persona sempre foram utilizadas pelas pessoas.


Quantas vezes não conheces-te já alguém que depois revelou ser o completo oposto do que aparentava?


Espera, deixa-me reformular a questão.


Quantas vezes já conheces-te alguém que daí a 5 ou 6 meses continuou a agir e a comportar-se exactamente da mesma forma que se comportava quando tu o conheces-te?


Eu não sei quanto a ti mas eu conheço muito poucas...


Antes de vermos o porquê disso acontecer vamos a mais um termo porreiro: Sociopata.


Deixa-me já dizer-te que, se les-te “maluco” les-te mal porque eu disse SOCIOPATA.


Aumenta o zoom das tuas páginas de internet em 200% e procura o profissional ocular mais perto de ti.


Um sociopata não tem obrigatoriamente de ter qualquer distúrbio mental, um sociopata na sua essência, é simplesmente alguém que não está disposto a comportar-se de modo socialmente aceite.


O que é que isto interessa para a tua felicidade?


Não muito, mas continua a ler que eu também não gosto de escrever para o boneco :)


Ok, então temos as máscaras persona e os sociopatas.


Dois opostos com o mesmíssimo propósito: Protecção.


Contra quê?


Boa pergunta! Vejo que estás atento ;)


Ora bem...


Já te puseste a pensar na razão que leva alguém a ser violento?


À partida podes estar tentado a dizer que uma pessoa é violenta porque é provocada mas isso não é bem assim...


Mesmo que fosse correcto colocar a responsabilidade da violência na provocação e não na pessoa, também ninguém responde violentamente a uma provocação.


Ele pode ser violento após ouvir uma provocação mas nunca por tê-la ouvido. Big diference.


Não foi a provocação que o tornou magicamente violento, ele já era violento antes de ser provocado, ela apenas realçou essa faceta.


É como o álcool ou o dinheiro. Quem tem muito de um dos dois nunca muda a sua forma de ser, antes pelo contrário, realça aquilo que já é.


As máscaras realçam o que ele não é.


Normalmente quando conheces alguém, tu não estás verdadeiramente a conhecê-lo, estás a conhecer a sua persona, a máscara que ele usa para se proteger do mundo.


Ele acha que sem essa máscara estaria acabado e as pessoas comê-lo-iam vivo.


Ele nunca experimentou tirá-la e confirmar.


Ele tem medo.


As pessoas usam as máscaras persona para protegerem o seu frágil ego. A violência é uma dessas máscaras. Serve para se protegerem de...violência. As pessoas são violentas porque temem ser magoadas pela violência alheia. As pessoas são tímidas porque temem ser magoados pela opinião alheia. As pessoas são exuberantes e fazem questão de se comportar de forma totalmente anti-social porque temem encaixar no socialmente aceite e assim ganharem alguns dos medos acima descritos. Ou seja, os sociopatas temem ser socialmente aceites e os socialmente aceites temem ser vistos como sociopatas.


Como já deves ter notado, e fazendo a ligação com o último post, a palavra que mais se repete é “temem”. O medo faz com que as pessoas se protejam...ao protegerem-se fazem-no com coisas que por sua vez metem medo ou apreensão nos outros. Nice :)

Pensa bem como funcionam as nações de todo o mundo. Topa-me só esta lógica.


Um país inventa uma bomba manhosa qualquer. Os outros países com medo de serem aniquilados por ela e sentindo-se impotentes no caso de confronto arranjam duas iguais aquela. Fixe. O que acontece a seguir? O país inicial que até nem tem razão nenhuma para entrar em confronto, mesmo assim sente-se na mó de baixo com uma bomba contra duas por isso, no puro intuito de “proteger” e “garantir a segurança dos cidadãos” arranja ainda outra bomba que aniquila meio mundo em meio minuto.


Sou só eu ou há aqui um pequeniiiiiiiino contra-senso?


Se ao fim de 300 ou 400 anos a estudar física nuclear e neurocirurgia fotovoltaica se chega à conclusão que para proteger as pessoas é preciso produzir bombas que as aniquilem então temo por futuros estudos sobre o tema e oficializo já que eu sou completa e irremediavelmente maluco porque sinceramente custa-me um bocadinho entender a lógica.


E nas máscaras sociais a lógica é a mesma.


Elas são uma tentativa inglória para sair inteiro de coisas tão brutais, avassaladoras e traumatizantes como...conviver com amigos, aceitar uma opinião contrária à nossa, mostrarmo-nos como somos ou dizer “olá” a uma desconhecida...


Respondendo à questão do título, a razão que leva as cobras a atacar as pessoas é exactamente a mesma que leva as pessoas a atacar as cobras.


MEDO.


É a chamada teoria do “ó filha, chama-lhe puta antes que ela to chame a ti”.


A violência provem do medo não provém da "garanhonisse". Logo quem é violento está no fundo a mostrar a sua incapacidade para o controlar e a gritar alto e bom som a sua desesperação.


Esta é uma das razões porque deves parar imediatamente de ler ou ver (tele)jornais ou filmes de terror.


Enquanto as notícias do dia-a-dia gerarem medo, enquanto a forma de vender for agressiva e geradora de medo, enquanto as pessoas agirem guiadas pelo medo e não pelo AMOR, a resposta será sempre a violência. Para quem não sabe, a violência gera mais medo. E não sei se já disse mas mais medo gera mais violência. (Não sei se estás a ver o filme...)


As máscaras sociais servem os seus próprios propósitos. Elas protegem-te de algo que não existe. Elas são profecias auto-realizadas. Elas protegem-te de algo que não será o que tu julgas que é quando tiveres as balls para experimentar por ti. As máscaras sociais são máscaras. Elas não são o teu Eu verdadeiro.


Para deitares a máscara ao chão precisas de ter a coragem de dar o peito às balas sem saber que as balas são bolinhas de papel enroladas em cuspo, precisas de te aceitar tal e qual como és, principalmente os teus defeitos, precisas de ser tu próprio e principalmente...precisas de parar de ter medo.


Como é que páras de ter medo?


Nada mais simples.


Tens medo que se saiba que és virgem porque tens 42 anos? Vai e conta a toda a gente que te aparecer pela frente.


Tens medo que se descubra na faculdade que no fim-de-semana passado levas-te uma tareia de uma senhora de 83 anos com osteoporose que inclusivamente fez questão de te puxar os boxeurs até aos ombros? Contrata uma agência de publicidade e monta um cartaz 30m X 20m no centro do polivalente com imagens do combate, panfletos com informação detalhada da contenda, t-shirts, canetas e porta-chaves alusivos ao evento.


Todos os teus amigos te acham o james bond do século XXII e ontem foste apanhado no escorrega do parque infantil por um vídeo amador enquanto gritavas “Abram alas para o Noddy”? Paga ao sacana que filmou a desgraça e em vez de enterrares as provas no quintal da tua vizinha, espeta com o vídeo no youtube só numa de ajavardar.


Para informações mais detalhadas dá um saltinho ao post anterior.


Para quaisquer outras dúvidas ou para reembolso de somas escandalosas de dinheiro entra em contacto comigo pelos mails do costume.



Não ajudes a perpetuar o medo, a TVI dá bem conta do recado sozinha  ;)


Ajuda a perpetuar a alegria, todos somos poucos.


David Veríssimo

sábado, 6 de fevereiro de 2010

A temível cuca...

Quem é a cuca?
 
Não tenho bem a certeza.

Aparentemente a cuca é um “bicho mau” que não vai lá muito à bola connosco.
Digo aparentemente porque eu nunca vi nenhuma. Sei o nome porque lembro-me de a minha mãe me avisar sobre ela quando eu era miúdo.

“Cuidado com a cuca” dizia ela misteriosamente...e eu, arregalava bem os olhos e ficava muito, muito quietinho, à espreita, na escuridão do meu quarto...

Imagino que a cuca seja muito requisitada por mães de todo o mundo e tenha muitos afazeres porque ela nunca apareceu.

A cuca, o homem do saco e outros malfeitores que tais são uns aldrabões do caraças.

Estranho mesmo é o facto de que, mesmo nunca aparecendo no local marcado, nós ficamos sempre com a sensação que eles lá estiveram.

É uma espécie de “síndrome do pai-natal” só que em mau porque o pai natal também nunca o cheguei a fisgar mas pelo menos ele tinha o bom senso de me comprar com carrinhos de corrida e pijamas.

Ou seja, o homem não tinha tempo de ficar para o pequeno-almoço mas ao menos dava sinal de vida e lá pedia “desculpa” à maneira dele.

A cuca não.

Nem um par de meias daquelas das raquetes nem nada.

A cuca é uma mal-educada.

E pelos vistos está falida.

Depois de ter chegado a estas conclusões chocantes começou a custar-me continuar a ter medo de alguém que provavelmente estaria a marcar lugar na sopa dos pobres e, enquanto se babava pelo canto da boca, gritava com a cozinheira porque queria antes lagosta com champinhons em vez de sola de sapato grelhada à moda de Alcabideche.

Bem...resumindo e concluindo.

Não é boa ideia termos consideração por este desnaturado sem palavra.

Desde muito novos que somos coagidos a dar crédito a coisas que não existem ou que praticamente nunca chegam a acontecer. Desde muito novos que somos assustados com monstros de todos os tamanhos e feitios para todos os gostos e desgostos. Desde muito novos que somos levados a crer que coisas perfeitamente inócuas e simples podem dar cabo da vida de uma pessoa. Desde muito novos que nos passam a ideia de que temos de ter medo da vida se queremos viver.

Somos periódica e sucessivamente assustados com “terríveis doenças” que vão erradicar a espécie humana de um dia para o outro. Quando nada acontece limitamo-nos a inventar outra “terrível doença” qualquer.

Desde que ganhámos capacidade para argumentar que lançamos datas arbitrária do fim do mundo. Vendemos as nossas casas e gritamos a plenos pulmões “arrependam-se enquanto é tempo!”. Quando nada acontece limitamo-nos a comprar outra casa e a inventar outra data qualquer para o juízo final.

Quando a publicidade não está a insultar as pessoas, 

 
está a mostrar todas as razões possíveis e imaginárias que elas devem temer se não comprarem imediatamente o produto deles. "Compre o nosso produto senão acontece o carmo e a trindade na sua vida!" Quando nada acontece limitam-se a arranjar outras razões quaisqueres.
  
Fazemos e dizemos as coisas mais estapafúrdias para justificarmos o nosso sentimento de medo mas devíamos antes estar a fazer e a dizer as coisas mais estapafúrdias para justificarmos o nosso sentimento de amor, de alegria, de bem-estar, de gratidão.

Não temos que ter medo da vida.

Se não reenviares aquele “e-mail corrente” nada de mal te vai acontecer. Não vais cair das escadas e partir o perónio e a tíbia em 29 sítios diferentes nem a tua avó vai ser engolida por um porta-chaves com 7 cabeças que veio do além.

Se decidires usar a marca de pastilhas X em vez da marca Y na tua máquina de lavar roupa, a tua cozinha não vai ficar inundada até ao tecto e não vai ser preciso contratar 52 profissionais que cheguem à conclusão que a casa vai ter que ser demolida e construída de raiz.

Faço-me entender?...

É que, da mesma forma, se fores falar com aquela rapariga que te atrai e disseres “olá” com um sorriso simpático na cara, ela não vai desancar-te e dar-te um enxerto de porrada com uma barra de alumínio que trazia escondida na mala, nem lançar-te uma granada de gás pimenta enquanto grita por socorro e liga o 112.

Provavelmente vai ser simpática de volta...não será?

Se pensares bem no assunto, sem o medo a toldar-te o raciocínio, vais chegar a esta mesma conclusão.

Logo,

Se tens medo de como ela vai reagir estás a ter medo da cuca para justificar a tua passividade e não a avaliar a situação de forma realista.

Como já viste, a cuca não vale dinheiro branco. Ela raramente aparece no sítio combinado. Ela está demasiado ocupada a tentar cortar um pedaço de borracha queimada com um talher.

Não deixes que um pobre monstro que precisa de usar a arrastadeira de 10 em 10m te impeça de ser feliz.

Não deixes que a ideia que te querem impingir do que pode vir a acontecer te impeça de fazer o que te dá prazer e te preenche.

Pensa lá bem, o que é o medo?

Há uns tempos li uma excelente definição da palavra medo (em Inglês): F.E.A.R.

False Evidence Appearing Real

Normalmente o medo não passa de uma falsa evidência criada pela tua mente. Porque é que a tua mente a criou? Porque hà uns milhares de anos atrás a tua sobrevivência dependia quase a 100% das tuas emoções, mais concretamente da emoção medo. Os nossos antepassados que andavam no meio do mato precisavam de um sistema rápido e eficaz para que, ao mínimo sinal de que a sua sobrevivência estava em causa, o seu corpo os avisasse e ajudasse a sair dali o mais rápido possível. Se eles se pusessem a pensar “Hmmm...que estranho...acho que ouvi um som de algo a aproximar-se daqui” e não reagissem imediatamente através do medo provavelmente acabavam a ser o jantar de algum predador.

Hoje em dia as coisas não são bem assim.

Á partida tu não vais na rua e aparece um leopardo detrás de um Citroen Saxo...
Esse medo que tanto ajudou a sobreviver os teus antepassados, está obsoleto.
Pensa bem nas últimas 10 vezes que sentis-te medo. Algum desses medos se tornou realidade?

Provavelmente não.

Na verdade, hoje em dia causa mais estragos do que traz benefícios. As pessoas temem tudo e mais um par de botas. Tememos até situações totalmente inofensivas e fazemos grandes filmes de detalhes sem qualquer importância.

Então o que é o medo?

Uma emoção.

Nice and simple.

O nosso cérebro é algo absolutamente incrível mas ele precisa de tempo para se adaptar aos tempos. Enquanto isso não acontece a sua boa vontade só atrapalha.
Há 100 mil anos atrás era extremamente útil o nosso cérebro emotivo não precisar de experienciar algo para decidir ter medo ou não. Ele lançava uma imagem na nossa mente de um predador por exemplo e nós podíamos fugir como se o tivéssemos realmente visto quando na verdade até podia ter sido um simples esquilo.

Naqueles tempos não importava muito se era um esquilo ou um leão. A enorme probabilidade de poder ser um leão dava-me justificações mais que suficientes para fugir sem precisar de confirmar.

Hoje em dia isso não faz tanto sentido porque se antes isso salvava a minha vida agora salva mais vezes o meu ego que outra coisa qualquer.

Já o disse num post anterior e repito: Se queres ter sucesso na tua vida profissional e nas tuas relações íntimas tens de controlar o medo (emoção). Tens de parar de dar importância a imagens mentais negativas e despropositadas, tens de sair da tua cabeça e viver o momento.

Em suma, tens de confirmar se é realmente um leão ou apenas um pequeno esquilo.

É claro que se estivermos mesmo a falar literalmente não é boa ideia confirmar, ok? :)

Fixe.

Então como é que ultrapassamos o medo de coisas inofensivas?

Talvez não seja a resposta que queiras ouvir mas a maneira mais eficaz de ultrapassar o medo é...fazer o que te mete medo.

Tens um medo paralisante de interagir com desconhecidas? Faz um favor a ti próprio e reserva um dia inteiro só para interagir com pessoas que não conheces de lado nenhum. Feias, bonitas, velhas, novas, altas, baixas, medrosas, corajosas e com cara de poucos ou muitos amigos. Não importa.

Continuas com algum receio? Amanhã faz exactamente o mesmo. 

Não estás a gostar muito da sugestão? Isso é porque tens medo. E como já vimos, esse medo só está na tua cabeça, não existe na realidade. Como é que eu sei que só existe na tua cabeça? Porque eu falo com tudo o que mexe e nunca ninguém ligou o 112 nessas alturas.

Eu também sou um gajo simpático vá  :)

Mas pensa bem, se tens medo de algo tão inofensivo como falar com uma pessoa como esperas conseguir ter uma relação de intimidade? Como esperas chegar ao cimo de uma escada se não tens coragem de subir o 1º degrau?

Vai por mim, ao fim de uns tempos a interagir com toda a gente, vais rir-te do medo que te paralizava. (Isto é...se não agires como um gandulo)

Ponho as minhas mãos no fogo em como vai ser assim porque sei que falar com pessoas não representa real perigo físico para ninguém. Portanto a única maneira desta técnica não resultar é tu não seres suficientemente persistente.

Quando fazes o que te mete medo e vês que sobrevives-te sem mazelas estás a programar o teu cérebro obsoleto com nova informação. Deixas de sentir medo porque provas-te a ti próprio que não há razão para isso. Deixas de sentir medo porque as imagens negativas que são lançadas na tua cabeça antes de agires contradizem o que depois na realidade acontece.

Ao fim de uns tempos o teu cérebro ganha juízo e deixa de te chatear com imagens apocalípticas e irreais do que pode correr mal e começam a aparecer-te imagens espontâneas do que pode correr BEM.

Aqui dá-se um importante "click". A tua mente deixa de ser dominada pelo medo e passa a ser dominada pela alegria e o optimismo.

Se a tua mente, construtora da tua realidade, passa a ser dominada pela força do amor a tua realidade será totalmente diferente!

Capixe?
Portanto, ter medo é porreiro quando vives numa selva perdida na Amazónia rodeada de animais selvagens sem lei mas não se vives em sociedade.

Conclusão:

Queres uma fórmula infalível para ultrapassar o medo?

1º Admite que tens medo.
Não te armes em super-herói que não tem medo de nada, toda a gente teme porque toda a gente tem um cérebro límbico. Se não admites que tens um problema nunca farás nada para o resolver.

2º Decide que vais fazer O QUE FOR PRECISO para resolver esse problema.
Mentaliza-te que precisas de agir, de fazer algo em relação a isso.

3º Age!
Mexe o rabo. Interage com as pessoas e sê persistente.

A persistência é favorável.


Não temas viver a vida, acredita que há coisas muito mais interessantes para gastares a tua energia...
David Veríssimo
planeta.marte@portugalmail.pt ou planeta.venus@portugalmail.pt

“Conquistar o medo é o começo da riqueza”. Bertrand Russell 


segunda-feira, 13 de julho de 2009

O Medo

do"A única coisa que cura o medo é o perigo auntêntico" - Alain
"Quem não arrisca, não teme" - Geoffrey Chaucer
"Quem teme padecer padece já o que teme" - Michel E. de Montaigne
"Nada se deve temer tanto quanto o medo" - Franklin D. Roosevelt
"Deixarás de ter medo quando deixares de esperar" - Séneca