sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
O que é um guerreiro da luz?
O livro que vou apresentar de seguida talvez muitos já o esperem. De certa forma era inevitável uma vez que foi ele a minha inspiração inicial.
Não estamos aqui a falar de um livro qualquer, estamos a falar de um livro complexamente simples. Estamos a falar de uma autêntica bíblia do auto-conhecimento. Estamos a falar de um manual. Não! Estamos a falar de O manual.
O Manual do Guerreiro da Luz.
Escrito pelo Carioca Paulo Coelho, este é um livro que consegue descrever o indescritível. A aparente simplicidade das suas palavras vai acompanhando o amadurecimento do leitor acabando por revelar todos os seus tesouros escondidos...a quem os souber reconhecer.
Sim, porque este livro não foi feito para ser lido por todo o mundo. Este livro só pode ser lido por quem tem olhos que vejam. Este livro só pode ser lido por que tem ouvidos que escutem.
Só quem consegue escutar os sinos que o mar faz tocar no seu leito consegue ler este livro.
E tu? Consegues ouvi-los?:
“O guerreiro da luz não tem medo de parecer louco.”
“O guerreiro da luz, às vezes, luta com quem ama.”
“O guerreiro compreende que as experiências repetidas têm uma única finalidade: Ensinar-lhe o que não quer aprender.”
“Para o guerreiro da luz, não existe nada abstracto.”
“Um guerreiro da luz nunca tem pressa.”
“Um guerreiro aproveita toda e qualquer oportunidade para ensinar a si mesmo.”
“Um guerreiro da luz faz sempre algo fora do comum.”
“Um guerreiro da luz, quando começa, vai até ao fim.”
“Um guerreiro sabe que os seus melhores mestres são as pessoas com quem divide o campo de batalha.”
“Um guerreiro da luz medita. Ele sabe que no silêncio do seu coração existe uma voz que o orienta.”
“O guerreiro da luz sabe que é impossível viver em estado de completo relaxamento.”
“Um guerreiro da luz muitas vezes desanima. Ele nem sempre tem fé.”
“Um guerreiro da luz sabe que nenhum homem é uma ilha. Ele dança com os seus companheiros, mas não transfere para ninguém a responsabilidade dos seus passos.”
“O guerreiro da luz sabe que todo o mundo tem medo de todo o mundo.”
“Um guerreiro da luz é fidedigno. Às vezes julga-se mais importante do que realmente é. Mas não mente.”
“É porque pensa que é o que diz, que o guerreiro acaba por se transformar no que diz.”
“Todas as vezes que o guerreiro desembainha a sua espada, utiliza-a. A espada não foi feita para ser usada com a boca.”
“O guerreiro da luz comporta-se como uma criança.”
“Um guerreiro não tenta parecer; ele é.”
“Os guerreiros da luz reconhecem-se pelo olhar.”
“O guerreiro raramente sabe o resultado de uma batalha quando esta acaba.”
“Um guerreiro da luz não se arrepende porque o arrependimento mata. Ele humilha-se e concerta o mal que causou.”
“Um guerreiro da luz compartilha com os outros o que sabe do caminho.”
Tudo isto é ser um guerreiro da luz. Tudo isto e muito mais.
Este é o caminho que escolhi para mim e este é o caminho que te quero mostrar. Sem armaduras pesadas e sem conversa fiada a tentar mostrar uma realidade que não existe. Sem fórmulas mágicas que te prometem mundos e fundos em 5 minutos.
Se vais caminhar ao meu lado precisas de saber a verdade sobre mim sem tretas. E a verdade é que eu sinto-me completamente aterrado.
Quem?!? O guerreiro da luz? Aterrado?! Mas que conversa é essa?
Pois é, lamento desiludir-te mas a minha vida não é o mar de rosas que pode aparentar. Por estranho que te possa parecer, eu não enfardo complicações ao pequeno-almoço e não tenho nenhum “resolve-problemas” dourado e brilhante que uso rápida e habilmente sempre que me deparo com um obstáculo na minha vida.
Nem sempre sei o que fazer e por vezes tenho muitas dúvidas.
Também não tenho duas irmãs gémeas Suecas vestidas de enfermeira à espera do meu estalar de dedos, nem as mulheres me caem aos pés sempre que vou a um bar. Por vezes também fico “encavacado” sem saber o que dizer e também faço “figuras tristes”... :)
Mas fixe! Não há crise. Eu não tenho interesse em criar uma espécie de aura mágica em volta de mim que me faça parecer o rei da macacada.
O importante não é nada disto. Porque se não sabes ficas a saber: Não importa quão espectacular e perfeita uma pessoa aparente ser. Não importa se é o presidente da República ou o campeão da volta à lua em bicicleta. Não importa se é aquela loira em pose inabordável ou aquele homem de olhar assustador e dominante. Sabes que mais? Eles nunca passarão de simples seres humanos de carne e osso com problemas e medos exactamente iguais aos teus. Se pensares bem, acaba por ser óbvio não é?
Pois. É precisamente isso que eu sou. Um gajo simples de carne e osso, que decidiu evoluir custe o que custar.
É só isto que faz a diferença na vida das pessoas. É só isto que importa. O resto é paisagem.
É isto que vais sentir quando tomares a decisão de evoluir e mesmo depois de teres evoluído durante anos e anos a fio: Medo. Muito medo. O medo vai estar presente na maior parte das tuas decisões. Medo do que os outros vão pensar, medo do que os outros vão dizer, medo de não seres capaz, de caíres no ridículo e fazeres figura de palhaço.
Medo.
Esse vai ser o teu baptismo. É o medo que vai separar o trigo do joio. É o medo que vai determinar a fibra de que és feito.
Nem sempre vais conseguir ultrapassá-lo, vai haver dias que não vês nenhum sentido e vais duvidar do caminho da luz e da tua força para o percorrer. Vai haver dias em que vais sentir-te indigno, vais ter atitudes covardes, mesquinhas e infantis.
Não importa.
Quando acordamos de um longo sono, a luz incomoda os olhos...
Tentamos tapá-la com as mãos e queremos que desapareça. Dói-nos a cabeça quando a olhamos directamente.
Não importa.
Desde que nunca abandones a vontade de tentar ser melhor do que és, tudo o resto é completamente indiferente.
“Um guerreiro da luz volta sempre à luta. Nunca por teimosia mas sim por coragem.”
David Veríssimo
planeta.marte@portugalmail.pt ou planeta.venus@portugalmail.pt
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
A verdade sobre mim e sobre este blog
Eu estou sempre a falar na “verdade” ou na “responsabilidade” que mais não é do que um assumir da verdade. Mas afinal…que porra vem a ser esta da “verdade”? Ok, é não mentir, certo…mas quê, é tipo eu não tentar ocultar a minha idade? É denunciar um assalto a um banco feito pela minha mãe? É o quê? Bem, melhor que explicar só fazer.
Chegou a hora de contar a verdade sobre mim e sobre o porquê de ter criado este blog.
Eu criei este blog porque quero que as pessoas me admirem e reconheçam. Quero que saibam o meu nome e me citem sempre que puderem. Quero ser reconhecido como alguém que percebe muito deste tipo de matérias e quero ser mais esperto que qualquer outra pessoa que fale sobre estes temas. Mais precisamente, quero que as pessoas pensem que eu sou mais esperto que qualquer outra pessoa que fale sobre estes temas. Imagino as pessoas a acompanhar o blog, a lerem com grande atenção e entusiasmo os meus posts enquanto têm grandes epifanias com a minha retórica como referência. Obtenho um grande prazer sempre que imagino isso a acontecer. Sinto-me “cheio”, importante, tranquilo e aconchegado, muitas vezes ficando com um sorriso na cara entre o limão e o mel.
Mesmo tendo eu esta fantasia do reconhecimento e admiração não gostava de ser demasiado famoso. Aliás, odeio a maior parte dos famosos e odeio a televisão onde eles aparecem. O comportamento aberrante e disfuncional que as pessoas exibem quando querem mostrar o que não são para as objectivas dá-me vontade de entrar pela televisão adentro, agarrá-los pelos colarinhos e esbofeteá-los à bruta enquanto chamo aquelas carcaças desmioladas à razão.
As perguntas estúpidas que os so called “jornalistas” fazem aos treinadores e jogadores de futebol dá-me vontade de lhes vomitar os lustrosos sapatinhos.
Imagino-me muitas vezes no lugar do entrevistado.
-“Sr. treinador está confiante na vitória para o derby de hoje à noite?”
-“NÃO SEU MERDAS, por acaso tenho esta leve sensação que é como se já tivéssemos perdido. Aliás, já falei com os meus jogadores para entrarem de mansinho porque já que vamos perder não vale a pena acrescentar lesões à humilhação.”
-“Sr. Novo Reforço acha que vai ser uma mais-valia para este plantel?”
-“Nem por isso…as minhas qualidades são bastante discutíveis e não sei até que ponto não seria boa ideia avançar a reforma à cavalgadura que sugeriu a minha contratação.”
Enervam-me os programas cheios de nada para encher chouriços e os que te querem formatar os miolos. Odeio que o consigam fazer a maior parte das vezes e sinto-me como um atrasado mental quando insisto em conversar com as pessoas que vêm estes programas. O histerismo colectivo barato e, basicamente, a poça de mediocridade em que estão enterrados até ao pescoço, enoja-me.
Odeio um monte de pessoas da TV e adoro odiá-los porque sei que por pior que eu possa estar, nunca na vida estarei tão fucked up como eles. No way José.
Que prazer dá uma fantasia de malícia! Que prazer dá uma fantasia de indignação justificada! Quando tenho estas fantasias sinto uma pontada de energia a crescer no meu estômago que acaba a radiar por todo o corpo. É como quando ouvia os relatos de futebol taco-a-taco no meu pequeno rádio a pilhas.
Bem, recapitulando: Eu quero ser reconhecido e admirado. Eu estou zangado e farto de tretas. Eu obtenho prazer ao sentir que tenho mais razão do que qualquer um de vocês, loosers. Eu quero provar que tenho mais razão que tu nos temas da atracção e evolução pessoal, ensinando-te coisas sobre eles. Muito poucas pessoas têm uma remota ideia do que isto seja, portanto também é uma excelente oportunidade de me destacar.
Eu também quero ser uma pessoa boa e honesta. Eu decidi ir em busca da verdade mesmo que tenha de entrar em cavernas escuras e assustadoras. Eu quero ajudar o máximo de pessoas possível. Muitas vezes imagino-me como o “salvador” e adormeço a imaginar-me a salvar-te da mediocridade da tua vida. Eu imagino-me a ajudar-te a salvar-te a ti e a toda a gente do mundo. Eu gosto de acreditar que estou a fazer a diferença e adoro trabalhar para isso. Nas alturas em que fantasio isto, costuma aparecer a tal pontada de energia dos relatos de futebol. Muita vezes sinto-me também seguro e acarinhado tal como o meu pai me fazia sentir quando eu era bebé. Este blog aconchega-me em fantasias.
Eu acredito que a única maneira de saíres da prisão da tua mente e, consequentemente, de fazeres algo construtivo com a tua vida é dizeres a verdade sem espinhas.
Eu quero fazer grandes quantidades de dinheiro como consequência directa ou indirecta de ter desenvolvido este blog. Eu quero que muitas pessoas queiram vir falar comigo e quero que me vejam como alguém que as pode ajudar a sair do poço em que se encontram.
Eu quero ficar rico para poder viajar mais, conhecer mais pessoas, escrever mais, dar mais e fazer aquilo a que se convencionou chamar de “trabalhar”, menos vezes. No geral, quero comprar mais qualidade de vida para mim e para os mais próximos de mim e fazer o que me dá prazer.
Este blog serve para clarificar a minha mente e os meus pensamentos. Sempre que escrevo um post novo aprendo algo que não sabia quando o comecei a escrever e por momentos, sinto que estou a fazer exactamente o que devia estar a fazer. É uma sensação difícil de descrever. É um enorme prazer que preenche todos os poros da minha pele.
Eu não estou só a tentar demonstrar a ideia de como é dizer a verdade. Eu tenho mesmo todas as fantasias, pensamentos e poses que descrevi e tenho grandes orgasmos mentais com eles.
Recapitulando: Eu quero ser reconhecido e admirado. Eu estou zangado e farto de tretas. Eu quero ser um bom homem. Eu quero ser rico. Eu quero ajudar as pessoas. Eu quero clarificar os meus pensamentos. Portanto é isto.
Mas todas estas coisas que eu quero são, ao mesmo tempo, falsas. São mentiras. Não existem. São trampa de boi. Elas fazem-me sentir bem mas a maior parte das vezes fazem-me mal. Por isso eu não as quero mas sei que preciso de as sentir e de as expor antes de me poder ver livre delas.
Eu digo-te as minhas fantasias e algumas fazem-te pensar que eu sou uma boa pessoa enquanto que outras te fazem pensar que eu sou uma má pessoa, mas todas elas são calculadas para te fazer pensar que eu sou uma pessoa excepcional. Se eu te mentisse tentando vender-te apenas as fantasias que te fazem pensar que eu sou uma pessoa excepcionalmente boa e tu comprasses essa ideia, talvez eu me conseguisse convencer a mim próprio. O único problema é que eu conheço o sacana que te vendeu a ideia logo de inicio…
Portanto, nesta altura, mentir acerca da verdade escondida por trás da verdade seria tropeçar na minha própria perna. Como aconteceria, se eu agora mentisse tentando esconder o facto de ter as tais fantasias de grandiosidade para que não pensasses que eu sou um convencido de merda com o rei na barriga e deixasses de visitar o meu blog. De qualquer forma digo-te já que, se andas à procura de um blog que não seja escrito por um sacana destes, tens uma longa busca à tua frente…
Qualquer marmelo que tenha um blog ou que escreva um livro é um megalómano neurótico, tal como eu.
A maioria dos escritores conta apenas as fantasias que os fazem parecer pessoas excepcionalmente boas e quando conta uma aparentemente ruim é só isso que ela é: aparentemente ruim. Portanto, das duas uma, ou a maioria dos escritores são perfeitos ou a maioria dos escritores são uns aldrabões do caraças e estão presos na sua própria mente. Vou deixar ao teu critério.
Tu, de igual modo, estás preso dentro da tua mente, na secção “cobardolas politicamente correcto”, se imaginas que és uma boa pessoa por não dizer à tua mulher que quando tens sexo com ela, costumas pensar na sua irmã. Ou por não lhe dizeres que quando mencionas-te as 134 namoradas que tiveste antes dela, estavas a contar com as 133 revistas Hustler que tens debaixo da cama. Ou ainda por não contares à tua mãe que daquela vez quando tinhas 13 anos em que ela te deu uns acoites, a sopa do jantar ganhou um sabor extra amarelado.
Isto é estar tão perdido no labirinto da ilusão que poucas chances há de se chegar a ser um homenzinho.
Como diz o bonequinho da TMN: Deita cá para fora! Diz à tua mulher/namorada, toda a verdade acerca das tuas fantasias com todas as mulheres da família, incluindo os familiares directos. Diz-lhe que afinal aquela Finlandesa top-model que lhe tinhas dito que andava atrás de ti a babar-se de excitação, afinal era só um empreiteiro de Aljustrel a quem devias 2.000€, conta-lhe tudo aquilo com o qual te sentes embaraçado/nervoso e por amor de deus conta à tua mãe sobre a sopa.
Se a verdade for dita vais aliviar tensões que nem sabias que tinhas e vais perceber que o mundo afinal também não acabou, nem morreu ninguém. Muita da ansiedade que tens deve-se a verdades que insistes em esconder a fim de um bem maior que nunca chegas a alcançar verdadeiramente. Parece que estás quase, quase lá mas nunca consegues tocar-lhe.
As depressões provêm deste tipo de verdades não ditas num país das fantasias mais real que a própria vida. É necessário saberes distinguir as fantasias da realidade e é necessário que as mostres ao mundo tal e qual como elas são para que possas ver claramente como são ridículas e sem sentido, desprendendo-te assim delas. Se lhes dás demasiado valor não as conseguirás deixar sair da tua mente. Tens de chegar a um patamar em que não te importas se as pessoas acham que tu és um louco ou um génio. Para te veres livre desta doença tens de dizer a verdade sem filtros mais ou menos como as crianças o fazem antes de perderem a inocência.
Se nunca ficas-te verdadeiramente envergonhado sobre o que tinhas para dizer sobre ti e se nunca te ris-te da tua própria vergonha não sabes peva sobre evolução ou sobre dizer a verdade.
Uma mentira dá-te a ideia de teres ganho alguma coisa mas só a curto prazo. Para quem vê o quadro completo nota que não só não te beneficiou em nada como ainda te atrasou. Por exemplo, se usas uma cunha para passar à frente dos outros podes pensar que também não é assim tão grave fazer meia-dúzia de pessoas esperar uns míseros 5m mas se calhar também não é assim tão importante ganhares 15m de tempo que provavelmente irás desperdiçar logo a seguir. O problema maior é que custa muito às pessoas entender que os 15m que alguém quis ganhar fez desencadear sentimentos negativos em muita gente e fez começar a rolar uma bola de neve que acabou em coisas como a corrupção e a violência.
A corrupção só existe porque um dia alguém se lembrou de corromper alguém.
As pessoas queixam-se que o país está como está por causa de fulano tal em vez de assumirem a responsabilidade que lhes cabe. É que é muito fácil falar mal, por exemplo, das gasolineiras e dizer que a poluição causada está a dar cabo do ambiente mas logo a seguir ir encher o depósito como se não se passasse nada e levar o carro para o café que fica a 200m.
Mas voltando ao tema da corrupção eu pergunto: Valeu a pena ganhar os tais 15m para meter um país na ruína? Vou deixar também a questão no ar.
Continuando.
Este blog nasceu das minhas fantasias. Ele nasceu para me permitir criar um futuro que não será o que eu imaginei que fosse quando ele acabar por se materializar. Seja como for, é bem mais produtivo e divertido criar e partilhar a partir da fantasia do que ocultá-la para ser criado por ela.
Dizer a verdade é uma merda do caraças, eu sei. Tens de estar constantemente atento ás rasteiras da mente, tens de dizer constantemente o que constantemente tentas esconder e não tens férias, feriados ou fins de semana.
Vantagens? Para além da evolução pessoal, da prosperidade, do sentimento de liberdade, do respeito que ganhas, etc? Bem, ao dizer as minhas fantasias alto e bom som, queimei-as. Ao contar a toda a gente aquilo que tinha medo que se soubesse, deixei de ser controlado por esse medo.
A maneira de ultrapassares o medo do que quer que seja é fazeres repetidamente aquilo que te mete medo.
Repara, ao revelares mais, tens menos a esconder, certo? Se tens menos a esconder, tens menos medo que se descubra. Se tens menos medo que se descubra, podes prestar mais atenção às outras pessoas e podes direccionar mais energia para criares a realidade que queres para ti em vez de gastares energia a sentir-te amedrontado, tenso e preocupado.
Dizer a verdade é a base principal para se criar intimidade com alguém. Não é a mentir e a fazê-la pensar que és o super-homem que a vais fazer apaixonar-se por ti, é a dizer a verdade! Podes enganar uma mulher durante algum tempo mas não vais conseguir enganá-la o tempo todo e essa preocupação vai consumir-te e trazer-te mais problemas do que julgas possível. Além disso, pensa lá bem, se a fazes acreditar que és algo que na verdade não és, mesmo que ela se sinta atraída, ela estará atraída não por ti mas pela imagem que tu montas-te de ti. E um dia que não consigas ou não possas mais manter a ilusão (e esse chega sempre), ela vai dar de caras com uma pessoa que não conhece de lado nenhum.
Lembra-te, não é possível criar uma relação íntima de qualidade com uma imagem projectada. Tens de deixar cair a máscara. Como diria Brad Blanton: “A aparência de uma vida bem sucedida está para uma vida bem sucedida como o menu está para uma refeição”.
Achas que podes dar-lhe a comer o pedaço do menu onde está escrito “Lombo Assado no forno ---- 9.5€” em vez do lombo, propriamente dito, e ela não notar diferença?...Mas mais importante: Achas que isso faz algum sentido?
Portanto, não te contar sobre as minhas fantasias de poder, dinheiro e reconhecimento talvez me ajudasse a manter a pose de “expert” e talvez impedisse que pensasses que é apenas mais um marmanjo que decidiu desenvolver um blog mas, hey, só aqui entre nós os 296 e os que hão de vir: É só mesmo mais um marmanjo que decidiu desenvolver um blog!
Ok, para finalizar, dizer apenas que se estás interessado na verdade deves, definitivamente, aprender os ensinamentos de um senhor chamado Brad Blanton. Este post é descaradamente baseado em parte do que o homem tinha para dizer no livro “Radical Honesty”.
Fica com mais esta pérola dele que pode ajudar-te na tua busca da verdade:
”Bullshit is like heroin (or a warm blanket or money in the bank or life insurance) it feels so good and protected and safe and warm that even if you do choke on your own puke, you don’t mind so much. The alternative, freedom, is often too terrifying for a mind to tolerate, so the mind hides from freedom behind piles of bullshit, under blankets of evaluation, in a bed of memories”.
Deixa a verdade guiar-te;
David Veríssimo
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Toda a gente tem uma história para contar

Ponderei bastante se haveria de colocar aqui algo tão pessoal e íntimo e certamente que não vou voltar a falar sobre mim tão cedo mas pondo-me no lugar de quem venha a acompanhar os desenvolvimentos do blog, achei importante saber a “história por detrás do homem”. Para além de adorar uma boa história de vida, a descrição que se segue, contextualiza um pouco as coisas.
Portanto, depois de escrever umas quantas dezenas de páginas, censurei uma dúzia ou duas e o que se segue foi o resultado. As mulheres talvez achem “querido” ou “fofinho” e os homens talvez achem uma paneleirisse pegada mas hey! No problem, homem que é homem também não pode andar para aí a ler novelas, já bastam as 37 que dão todos os dias na TVI. :)
Comecemos então pelo princípio…
Aos 21 anos descobri que tinha um irmão gémeo do qual me separam à nascença, descobri que a minha namorada afinal era minha prima e que havia uma velhinha no cú de judas que ganhava 25€ de reforma e gastava 470 em medicamentos…ok, estava a brincar…
Temos portanto um conto de fadas com passarinhos a chilrear, vacas a pastar nos vastos e verdejantes prados e querubins a oscilar gentilmente duas folhas de bananeira.
Até que chegou o dia que iria mudar a minha vida para sempre...
Corria o ano de 2004. O mês era frio, talvez para contrastar com o que estava prestes a acontecer. Fui normalmente carregar o meu telemóvel a uma loja do centro da cidade e coloquei-me na respectiva fila de espera. Um odor estranho mas agradável circundava a minha zona de respiração e por ali ficou uns instantes. À minha frente, voltada para o balcão, estava o que me parecia ser uma rapariga bastante jovem e desgrenhada. Não tardei a confirmar o segundo adjectivo quando ela transformou o acto de um simples pagamento numa missão para o Indiana Jones. Mas antes de abrir a carteira das “moedas irrequietas” ela teve de fazer uma coisa que me perseguiu durante bastante tempo: Dizer o número de telemóvel.
Aqueles 9 dígitos saíram directamente dos lábios dela para o topo da minha cabeça. E ali ficaram…a flutuar no ar, qual aureola de santo.
Hmmm…acho que vou ligar-lhe…mas digo o quê? “Olá eu sou o tarado que estava atrás de ti na loja da Optimus e que aproveitou o facto de teres de dar o teu número ao balcão, para te assediar telefonicamente até te sentires compelida a ir comigo para a cama”? Hmmm…capaz de não ser boa ideia…que se lixe, mandei um sms.
Bom… ignorando os pormenores sórdidos :) lá acabei por descobrir que o nome dela era Isabel. Uma coisa levou a outra e, depois de a nossa intimidade ter subido alguns níveis (muito embora não namorássemos), no dia 1 de Janeiro de 2005 pouco depois da meia-noite a relação evoluiu para uma coisa relativamente séria.
Namorámos de forma bastante intensa, mas havia algo que não estava certo. Havia algo que era suposto haver entre um casal de namorados e que não havia ali. Durante todo o tempo de namoro, ela nunca ouviu a palavra “Amo-te” da minha boca…não…ela nunca ouviu sequer um simples “eu gosto de ti”…pois, eu sei…que raio de coisa não é? Namorar com alguém 400 ou 500 dias e nunca ouvir a “palavra mágica”. Mas foi assim que se passou. Lembrava-me por graça do filme American Pie em que uma jovem carregada de sapiência aconselhava um colega: “Se a queres levar para a cama diz-lhe que a amas! Comigo resultou…”
Enfim, de inicio não queria dizer nada porque não queria dizer algo que não sentia mas nem com o passar do tempo as coisas mudavam. Não que nós fossemos incompatíveis ou isso mas pura e simplesmente - vejo isso agora - porque eu não deixava.
A única maneira de não deixares que alguém parta a tua casa toda é não deixares ninguém entrar nela, certo?
Errado.
É não teres nada que se parta. Eu posso partir uma casa toda por dentro sem entrar nela…
Enfim, discussões filosóficas à parte, as coisas arrastaram-se e como é óbvio a dada altura fui obrigado a sentar-me e a decidir se tinha o direito de continuar a fazer sofrer a Isabel ou se devia dar uma chance à relação expondo-me (também). Estava a ter uma atitude bastante infantil e era fácil de ver que se não “desse o peito às balas” seria impossível ter uma relação fosse com quem fosse, logo…porque não fazê-lo com uma pessoa que deu tanto de si à relação?
(Vou abrir aqui um parênteses porque é necessário explicar este “deu tanto de si”. Não vale a pena entrar em demasiados pormenores que nem interessa estar aqui a mencionar mas tenho de lhe fazer justiça e dar um exemplo bem ilustrativo: Se há coisa que eu sou é directo. Sou homem de uma só palavra. E antes de iniciar a relação disse-lhe que o facto de me envolver com ela não seria suficiente para, eventualmente, não me envolver com mais ninguém. É duro de ouvir…mas a resposta dela é de quem acredita de coração e dá tudo o que tem ao sujeitar-se desta maneira: “Enquanto eu beijar a ti, não vou beijar mais ninguém”. Pode não ter sido a escolha inteligente mas foi sem dúvida a escolha que mais prova que se gosta de alguém e se está pronto a arriscar tudo por um ideal. Num contexto extremista faz-me lembrar os soldados que se alistam para ir para a guerra. No Vietname a esperança média de vida na zona de guerra eram uns míseros 15 segundos. Alguém que se alista voluntariamente para morrer em 15 segundos de inferno na esperança de fazer os possíveis para alcançar o ideal em que acredita, é alguém a quem não se pode pedir mais.)
Cheguei então à inevitável conclusão de que não era justo manter-me a mim e a ela na “terra de ninguém” e fui, pouco a pouco, abrindo o meu coração a ferros e deixando cair partes pesadas da armadura que me limitava os movimentos emotivos. Quanto mais tentava mais fácil se tornava até que chegou o dia em que me senti liberto a 100%. Foi um sentimento magnífico! Indescritível! Nunca me tinha sentido assim…desorientado e ao mesmo tempo dono do meu destino…vulnerável e ao mesmo tempo poderoso como um trovão…acabaram-se as barreiras. O novo “Eu” tinha partido a casca e via agora a luz do dia, o novo “eu” sentia pela primeira vez aos 24 anos um palpitar estranho no peito…o gelo tinha derretido, o que poderia correr mal agora?
Numa noite fria abracei-a, protegi-a com o meu sobretudo e sem apresentações de maior disse-lhe “Amo-te”, olhando-a bem fundo nos olhos.
A resposta não se fez ouvir. A que eu esperava pelo menos…dos lábios dela pelo menos…mas os olhos…os olhos já se sabe que nunca mentem. Sabia que algo não estava certo mas não sabia bem o quê. Ainda não dominava os meus recém adquiridos “sensores” com mestria.
Os dias passaram. Na altura fui estudar uns tempos para a cidade dos 5 “F” mas o único F que eu notava era o de “Fria”…os tempos que passei lá foram um tumulto. Não do frio da rua mas do frio dentro do meu peito. Não sabia o que fazer. A maior certeza da minha vida tinha-se revelado o maior desastre. Não estava bem em pé, não estava bem sentado, não estava bem deitado, dormir era a pior parte do dia. Na minha cabeça ecoavam notas altas de uma guitarra eléctrica desafinada com o volume no máximo. Via as pessoas passar na rua e não entendia como podiam andar assim, contentes e despreocupadas. O telemóvel apitou quatro vezes.
-“Acho que devemos dar um tempo e ver o que acontece…”
-“Podemos antes falar pessoalmente?...”…“Por favor?”
Não podíamos. A sentença estava ditada. E por sms.
Sozinho, numa terra estranha e fria, fui condenado a pagar pelo erro de dar uma chance ao amor. Não sabia o que pensar. Não sabia como o novo “eu” ia reagir e estranhava aquela calma profunda que me invadiu subitamente.
Comecei a caminhar sem destino. As minhas pernas deixaram de me obedecer e em vez de se dobrarem para me permitirem deitar no chão e dormir, levavam-me para sítio incerto.
Depois de caminhar durante o que me pareceu serem horas a fio cheguei a um castelo abandonado. Levantei a cabeça e vi que a entrada estava desimpedida. Subi ao topo e coloquei-me na borda do muro. Os meus sapatos fizeram cair pequenas pedras que ali se encontravam. Ao encontro delas iam as minhas lágrimas que caiam aos pares.
Anoitecia. Não sabia bem o que estava a acontecer mas sabia o que aquela situação podia representar: No more pain. Não sei quanto tempo ali estive mas por fim levantei a cabeça e gritei o mais alto que pude “COBAAAAAAAARDE!”…grandessíssimo…cobarde…
Voltei à albergaria, deitei-me como estava e dormi até de manhã.
O curso terminaria daí a uns dias e assim que cheguei a Castelo Branco tomei aquela que seria ao mesmo tempo a pior e a melhor decisão da minha vida. “Lutar” por ela.
Por “lutar” entenda-se “manipula-la”, entenda-se “humilhar-me”, entenda-se “fazer coisas que eu achava que ela ia gostar que eu fizesse para que desse modo ela visse como tinha cometido um grande erro ao deixar uma pessoa tão especial como eu”. Típico não é?
Fiz e disse coisas que não condiziam com a minha personalidade nem com aquilo em que eu acreditava.
Não me orgulho disso.
A gota de água surgiu num dia frio. Mais um.
Chovia copiosamente e decidi que precisava de me humilhar mais um pouquinho por isso fui até à rua dela e…esperei. Esperei pelo quê? Não sei, mas o simples facto de estar mais perto dela servia de ben-u-ron. Quem sabe poderia conseguir falar com ela. Quem sabe apareceria um urso cor-de-rosa chamado Rogério para eu desabafar. Quem sabe viria um camião desgovernado e me levava dali pelo chassis.
A chuva não podia molhar mais a minha roupa nem o meu corpo.
Fui até ao lado do prédio onde se via a janela do quarto dela, nas traseiras, e olhei para o 3º andar. Não tenho a certeza se lhe enviei uma mensagem mas ela apareceu lá no alto. Disse algo que não percebi muito bem e desapareceu algo incomodada. Aquilo para mim foi um sinal claro que devia esperar só mais um pouquinho…estaria certamente à procura de um guarda-chuva e uma gabardine e não encontrava, só podia. Não ia deixar-me ali especado à chuva e ao vento.
Anoiteceu. As horas passaram e as janelas vazias dos prédios circundantes começavam a ser menos que as que delineavam silhuetas intrigadas. Eu mantinha-me na mesma posição desde que ali estava. Sem mexer um único músculo. A dor física que sentia camuflava a dor que tinha no peito por isso aceitava-a como uma dádiva.
A chuva era gelada e amarga. Comecei a ter pequenos espasmos e tremores que passaram de ligeiros com intervalo de meio minuto para, ininterruptos e incontroláveis. Apertava as mãos fechadas com toda a força que me restava, no intuito de não perder o controlo mas já mal me aguentava em pé. Via pessoas ao telefone a apontar freneticamente para mim quando senti uma dor aguda que me atravessou a espinha e me fez tombar…finalmente.
Não sentia os braços nem a maior parte das pernas mas consegui chegar até ao carro. Liguei o ar quente no máximo até conseguir abrandar os tremores a ponto de conseguir levar o carro sem falhar por mais de 1 metro para cada lado a rota pretendida.
Sobrevivi.
Ainda tentei manter contacto por mais alguns dias, mas certa vez peguei numa foto nossa e tentei chorar. Não consegui…o que tinha sido tão fácil e natural até ali, parou de ser. Tinha esgotado as lágrimas. Bati no fundo.
Chega desta palhaçada! Chega de me andar a arrastar pelos cantos feito um anormal! Chega de tentar ser o que não sou! Chega! Chega!
Algo mudou naquele instante.
Agora só havia uma coisa que me impedia de me distanciar totalmente e seguir a minha vida: A razão. O porquê. Ainda hoje estou à espera de ouvir da boca dela a razão que a levou a terminar a relação comigo. (Não por falta de lhe ter perguntado). Para ser honesto, isso talvez me magoasse mais que o próprio fim da relação. É que foram quase dois anos, não foram dois meses! E ser julgado sem ouvir a acusação é tramado.
Uma vez que a opção “perguntar pela enésima vez” estava fora de questão decidi descobrir por mim…
Descobrir por mim não implicava pagar a um detective privado para vasculhar a vida dela, implicava…descobrir por mim. Não era ser eu a fazer o trabalho do detective (também não desci tão baixo assim…), era tentar perceber como funciona isto das relações humanas. Afinal, o que é que leva duas pessoas que nunca se viram na vida a passar de desconhecidos para namorados. E o que é que leva as mesmas duas pessoas que fizeram juras de amor eterno a passar de namorados para desconhecidos? Será que há uma base onde tudo gira ou estamos a falar de coisas que nunca poderão ser entendidas quanto mais estudadas? Porque é que existe atracção instantânea ou repulsa entre duas pessoas que nem sequer se conhecem? Quais são os critérios que devemos ter em conta para construir uma relação de qualidade? Seria possível amar e querer distância ao mesmo tempo? Haveria pessoas destinadas a ser bem sucedidas tal como outras a ser “becos sem saída” amorosos? Tinha tantas perguntas na minha cabeça…mas será que a resposta a estas perguntas me daria a resposta que eu procurava? Só havia uma maneira de saber…
Estudei de forma perfeitamente…obsessiva. Lia tudo o que aparecia sobre o tema. Não dormia, não comia. Cheguei a estudar durante 12 horas seguidas. Sem pausas. Isto tudo conjugado com o meu trabalho normal.
Li montanhas de livros que garantiam que a solução era ser “genuíno”, ser “eu mesmo” fumar um charro e relaxar, li outros que juravam a pés juntos (páginas juntas?...) que tentar atingir um objectivo pela anarquia era tão inteligente como tentar apagar um fogo com gasolina. Li mais uns quantos autores que achavam que isto só lá ia com pozinhos de perlimpimpim, outros achavam que a homossexualidade é que era natural, outros queriam rapar-me a cabeça e converter-me ao budismo, alguns davam contactos de casas de alterne e houve um que no final do livro disse que o burro era eu se acreditasse numa única palavra que ali esta escrita…fuck…
Tinha agora mais dúvidas do que quando comecei!
Como é que eu agora vou conseguir saber qual destes marmelos é que fala verdade? Se é que há uma verdade! A minha cabeça estava prestes a estoirar.
Mais uma vez, só havia uma maneira: Testar. Uma por uma.
Fui então para a rua experimentar um pouco de tudo.
Até aquele dia tentar entender as coisas pela lógica e pelo senso comum só me tinha dado dores de cabeça por isso decidi deixar o raciocínio lógico em casa embrulhadinho em papel celofane. É óbvio que tinha a minha opinião formada e sinceramente achava que ia meter-me no molho de brocas da minha vida mas subitamente apercebi-me que as opiniões servem para pouco mais que conversar. Podia filosofar toda a tarde sobre como eu achava que ia experimentar o doce sabor de uma qualquer mala Louis Vuitton se chegasse ao pé de uma rapariga desconhecida e lhe dissesse que achava que ela devia pagar-me um copo em vez de continuar insistentemente a olhar-me para o rabo. Claro que podia. Mas a verdade é que enquanto não transformasse as palavras em actos, nunca podia ter 100% de certeza do que estava a dizer.
Fiz algumas coisas altamente fora de contexto a roçar a ordinarice. Errei como se não houvesse amanhã. Experimentei coisas que me fizeram querer que se abrisse um buraco por baixo de mim. Uma ou outra vez estive perto de saborear a dita bolsa ou mesmo algo mais resistente gentilmente oferecido por namorados mais sensíveis. Mas a verdade, verdadinha é que o que eu tinha a certeza absoluta, sintética, analítica que ia acontecer...teimava em não acontecer. 99% das que não queriam conversa limitavam-se a ignorar-me ou grunhiam qualquer coisa com ar de “olha-me este agora” e viravam costas. Muito poucas se exaltavam. E surpresa das surpresas…algumas riam! E chamavam-me “parvo” enquanto me batiam no ombro! E mandavam uma piadola qualquer de volta! E eu respondia! E acabávamos na conversa até o bar fechar ou a vaguear pela rua com uma garrafa de moscatel contando anedotas de qualidade duvidosa ou deitados na relva de uma qualquer rotunda a observar a lua e a ler livros sobre astrologia chinesa. Quem diria hã?
Aprendi uma boa lição: Nem todas as mulheres anseiam uma oportunidade para ignorar e enxovalhar um homem. Nem todas têm um namorado de 2.20m de largo escondido atrás do balcão. Algumas têm sentido de humor! A sério! Algumas chegam a casa muito tristes por não haver mais homens que tenham a coragem de chegar ao pé delas e dizer um simples “Olá”. Eu acho que se os homens conseguissem ler o pensamento das mulheres ganhariam muita coragem para iniciar uma interacção com uma desconhecida…
Cheguei então à conclusão que o medo da rejeição demasiadas vezes nos impede de fazer coisas que melhorem a qualidade das nossas relações. Cheguei à conclusão que as pessoas levam tudo demasiado a peito.
Mas não me ficava por aí. Passava horas seguidas sentado num bar a observar meticulosamente as pessoas, a forma como elas se mexiam e interagiam, a forma como elas pegavam no copo, a forma como se sentavam, a forma como falavam e todas as dinâmicas que aconteciam no grupo. Tentava perceber o porquê de agirem de uma maneira e não de outra. Via que tipo de linguagem corporal tinham os que saíam com uma acompanhante que não tinham trazido. Via as particularidades da linguagem corporal das acompanhantes que iam com eles. Ia para a rua e passava tardes a olhar para uma cabine telefónica, andava nos passeios e via as pessoas a comunicar umas com as outras sem sequer se aperceberem disso! Eu estava completamente abismado. Tanta informação interessante! Como teria sido possível viver até ali sem notar coisas tão óbvias que se passavam à minha frente todos os dias?
Enfim…tive de reaprender tudo aquilo que estava na minha natureza e que perdi por não me ter mantido fiel a mim mesmo. Hoje olho para trás e consigo explicar por palavras o que levou determinada atracção a ser criada num determinado momento da minha adolescência ou o que fez com que a Isabel terminasse a relação comigo naquele dia frio de Inverno sem ter sido necessário ela dizer-mo…
Tenho aprendido coisas novas quase todos os dias e descobri que um dos propósitos da minha vida é ajudar outras pessoas nas suas relações com o sexo oposto e até com elas próprias, sem terem de passar pelo caminho longo e tortuoso que eu passei.
É certo que eu ainda tenho muuuuuuito que aprender e não sou nenhum dono da verdade. Sou apenas alguém com uma curiosidade desmedida que gosta de aprender e evoluir independentemente dos obstáculos externos que se apresentem. Sou apenas um...guerreiro da luz.
“Torna a primeira derrota na vitória final” – Sun Tzu
David Veríssimo
P.S.- Isabel, onde quer que estejas, obrigado por teres sido o maior pesadelo da minha vida. ;) Que sejas feliz.
