quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Quanto darias para que nunca te mentissem? - 2ª parte: Os braços e mãos

Já reparas-te que, uma pessoa inteligente, tende a ser boa a manipular objectos com as mãos? Porque será que isso acontece? Hmmm… Sabias que existe um maior número de conexões entre o cérebro e as mãos do que com qualquer outra parte do corpo?

Neste momento, as mulheres estão todas aos saltos a gritar: “Mentiroso! Mentiroso! Há uma parte do corpo do homem que tem mais conexões com o cérebro, chegando mesmo a controlá-lo!”
Hey, meninas então?…Tenham lá calma. Os…aaaaa…pulsos…também podem ser considerados parte da mão… :)


Ok, mas as mãos têm realmente sido, ao longo da evolução humana, as mais importantes “ferramentas” do homem. Isto fez com que o papel delas na linguagem corporal espelhe precisamente isso:

Nos seres humanos, as mãos são usadas para comunicar Dominância, Igualdade ou Submissão.

Muito poucas pessoas param para pensar no que é que as suas mãos estão a fazer/comunicar, nomeadamente na forma como dão um aperto de mão quando cumprimentam alguém. No entanto os cinco a sete movimentos que têm lugar quando isso acontece determinam quase instantaneamente quem é o dominador, quem é o dominado ou se ambos querem a mesma cadeira.

Então de que forma as mãos mostram se o dono quer dominar ou ser dominado? A resposta é: Com as palmas.

Palma da mão para baixo (escondida)= dominância, autoridade. Palma da mão para cima (exposta) = Submissão, atitude não ameaçadora.

Os exemplos de versões palma da mão para cima e para baixo são muitos. Nos tempos dos gladiadores, as palmas das mãos expostas eram usadas para mostrar que não se escondia nenhuma arma. Quando os casais vão na rua de mão dada, podes ver qual é o parceiro dominante esquecendo o que eles aparentam e observando qual é o que tem a palma da mão virada para trás ou para baixo. Normalmente verás que são os homens.


Algumas vezes verás igualdade.


E de vez em quando descobres uma ou outra mulher a comandar o barco…


Ah! E às vezes não vais conseguir perceber o que raio que se passa ali :)


Se julgas que as pessoas põem as mãos como calha na altura, experimenta pesquisar nas imagens do Google e encontrar uma mulher com a palma da mão para baixo…tens que admitir que é muita coincidência.

Pensa também nos juramentos que são feitos em alguns tribunais. A pessoa levanta o braço e expõe a palma da mão direita para que toda a gente a possa ver.


Tal como os cães expõem a garganta ao seu adversário quando desejam mostrar submissão ou que não são uma ameaça, os humanos expõem as palmas das mãos. Se queres descobrir se alguém está a ser honesto, aberto e sincero contigo, repara nas exibições das palmas das mãos dele.
Mas não te baseies exclusivamente nisso. Lê a frase toda. A maioria dos políticos hoje em dia, trabalha com um profissional de imagem que lhe diz que gestos ele deve fazer para poder passar a ideia de “confiança”, “seriedade”, “sinceridade” e por aí fora. Os que têm esse profissional, mostram muito as palmas das mãos quando falam. Saddam Hussein é um excelente exemplo disso. Para mim, não há dúvidas que todos os gestos dele eram pensados ao milímetro para passar a ideia de abertura e sinceridade. Ele tinha um gesto “palma exposta” muito característico propositadamente para esse fim:



Ele chegou mesmo ao ponto de colocar esse gesto na estátua que mandou erguer, dele próprio. O gesto passou a ser a sua imagem de marca:


Mas interessante foi, notar que durante o julgamento e devido à exposição clara e intensa a que foi sujeito, Saddam Hussein acabou por não conseguir esconder a sua verdadeira linguagem corporal e mostrou ao mundo a sua real personalidade. Apontava para cima, apontava para baixo, apontava para os lados e apontava em frente. Quando se fartava de usar o dedo apontava com canetas. Esta passou a ser a sua nova imagem de marca: Apontar.


Tanto apontou que chegaram a agarrar-lhe no braço numa tentativa de evitar tanto “apontanço”.


Se a ideia era calá-lo, talvez fosse mais eficiente tapar-lhe a boca (digo eu) mas a pessoa parece dar mais importância ao insistente dedo ameaçador. Isto prova que as palavras importam muito menos do que pensamos.

Talvez a mãe nunca lhe tenha dito que apontar é feio…ou, se disse, fê-lo enquanto brandia o seu dedo indicador no ar… :)


Esta, para mim é a imagem que resume esse julgamento:


O ditador mostrando um punho fechado ameaçador e o juiz, (mais que habituado a lidar com toda a espécie de ameaças) expondo as palmas das mãos, mostrando que não tem medo dele. Confirmou-se…não tinha.

Resumindo esta história toda do dedo.


Dedo apontado = “Faz o que eu digo, senão…”

Neste gesto o dedo é usado como uma espécie de cacetete imaginário, com o qual a pessoa que o usa, bate simbolicamente no ouvinte, induzindo-o à submissão. Este é um dos gestos mais incomodativos que se podem fazer. Podemos também ver neste gesto a ânsia de dominar mostrada pela palma-escondida implícita, do mesmo.

Ou seja, a palma da mão escondida pode ser encontrada em muitos gestos do quotidiano.

As mãos nos bolsos por exemplo são uma vertente da palma da mão escondida e mostram claramente que não se quer falar. Originalmente, manter as mãos nos bolsos era semelhante a manter a boca fechada. Se tens algum amigo que goste especialmente de esbracejar, pede-lhe que tente falar de mãos nos bolsos e vais ver como ele fala muito menos e de forma menos expressiva. Isto acontece devido a uma coisa chamada “lei de causa e efeito”. Ou seja, os gestos influenciam directamente as emoções. Se uma pessoa está a falar de forma aberta e sincera ele exibirá as palmas das mãos e o simples facto de ter as mãos expostas dificultar-lhe-á alguma tentativa para mentir convincentemente. Tal como o gesto de cruzar os braços lhe dificultará as tentativas de falar abertamente com alguém, começando inclusivamente a experimentar sentimentos negativos.

As versões mais conhecidas da versão palma-exposta (ou palma para cima) e palma-escondida (ou palma para baixo) são as de Jesus Cristo e Hitler, respectivamente:


Já imaginas-te este gesto feito com palma para cima?


Não fazia lá grande impressão pois não? :) Parece que está a pedir uns trocos para uma sandocha que ainda não comeu nada hoje…se o homem se lembrasse de o utilizar certamente que ninguém o teria levado a sério.

Hoje em dia, quem quer conquistar o mundo também costuma repetir o famoso gesto…


Os militares têm também um gesto palma para baixo que usam para se cumprimentar uns aos outros como que dizendo “Eu tenho muito poder”, “Eu também!”.


Portanto, se queres demonstrar poder, domínio, autoridade, etc, deves utilizar versões de palma da mão para baixo. Se queres demonstrar afabilidade, sinceridade, abertura, etc, deves utilizar versões da palma da mão exposta.

Que fique bem claro que as expressões que demonstram domínio vão trazer-te muitos problemas se forem mal utilizadas…Uma expressão destas só será aceitável, por exemplo, no caso de uma interacção em que tu fosses o patrão e a outra pessoa o teu subordinado e mesmo aí é preciso não abusar. Demonstrar domínio tem as suas vantagens mas apenas quando utilizado em situações muito especificas. Se conheceres alguém pela primeira vez deixa-te de joguinhos de poder da treta e mostra-te afável, aberto, honesto e de igual estatuto com vertentes palma da mão para cima e palma da mão vertical.


Como disse no inicio as mãos comunicam 3 gestos de comando principais: Dominância, Igualdade ou Submissão. Ou seja, existe uma 3ª parte que ainda não falámos, a tal palma da mão vertical. A palma da mão vertical cria harmonia e igualdade. (Tal como na 3ª imagem deste post)

Agora que conheces o impacto das 3 versões, falemos no aperto de mão e na relevância que eles têm nesse gesto. Depois de leres isto vais saber o que as pessoas que te cumprimentam com um aperto de mão querem de ti independentemente do que elas digam verbalmente.

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Acho que já estou a escrever à demasiado tempo…

Bem, agora que já fui tomar um duche gelado vamos lá continuar :)

Exemplos de apertos de mão em que uma das parte tenta dominar a outra:
Como podes ver, o homem da camisa às riscas inclina ligeiramente a mão na tentativa de fazer uma palma para baixo e comunicar ao outro que tem mais poder que ele e que deve ser ele a comandar. Ele pode fazer isso consciente ou inconscientemente e, da mesma forma, a pessoa a quem é dado este aperto de mão, entende imediatamente a mensagem, quer disso se aperceba ou não.

Na próxima imagem, Obama assume a posição submissa uma vez que o seu oponente John McCain consegue uma pequena inclinação, suficiente para efectuar uma palma para baixo. Mesmo que essa inclinação não existisse, daria na mesma a sensação que assim era, pois McCain está posicionado do lado esquerdo da foto o que faz com que as costas da sua mão fiquem visíveis dando ilusão de palma para baixo ao observador comum. Além disso, é fisicamente mais difícil a quem dá o aperto de mão do lado direito da foto, assumir a posição de poder. E não só é mais difícil como em certos casos aparentaria ser gay, logo, na esmagadora maioria das vezes, quem é percepcionado como o dominador é a pessoa que se encontra do lado esquerdo na foto.


Desta feita, Sarkozy, assume uma posição muito mais clara de Domínio, enquanto Lula da Silva expõe as palmas e assume claramente a submissão.


Esta é a posição mão-vertical que deves utilizar no dia-a-dia, quando cumprimentas alguém. Não há inclinação para nenhum dos lados, logo existe igualdade:


Nesta foto, existe também igualdade mas podes ver uma mão no cotovelo. Isso significa que são pessoas que já se conhecem e têm até uma relação relativamente próxima.


Na verdade, quanto mais longe do pulso a mão esquerda for posicionada no braço direito da outra pessoa, mais intimidade e profundidade de sentimentos ele quer transmitir. Existem quatro variações: Mão no pulso, Mão no cotovelo, Mão no Braço e Mão no Ombro, sendo que num aperto de mão, a mão no ombro é a versão mais intima. Sem nunca ter conhecido as pessoas que se seguem é relativamente seguro afirmar que eles se conhecem há muito tempo e são grandes amigos, uma vez que existe o à-vontade necessário para invadir o espaço pessoal da outra pessoa e demonstrar abertamente uma grande intimidade efectuando a mão-no-ombro. Esta ideia é confirmada por todos os restantes sinais não verbais: Mão vertical, palma exposta, sorriso sincero dos olhos, etc, etc, etc:


Nenhuma destas variações é aceitável a não ser que já se possua verdadeiramente a intimidade respeitante a cada nível. Se não tens nenhum vinculo pessoal ou emocional com a outra pessoa limita-te a usar um aperto de mão simples, com a palma completamente vertical e dando a mesma intensidade de aperto que receberes.

Antes de terminar, um apontamento especialmente dirigido ás mulheres: Tal como expliquei no post sobre quem deve iniciar a interacção, as mulheres devem separar o comportamento social do profissional. Num contexto social, deves usar os gestos de submissão/feminilidade mas num contexto profissional isso seria absolutamente desastroso. Isso não significa que nessas alturas tenhas que te comportar como um homem, basta que evites alguns sinais de submissão mais relevantes como por exemplo mini-saias, apertos de mão frouxos, saltos altos, etc. Num contexto sério de trabalho, as mulheres demasiado femininas perdem credibilidade e são literalmente impedidas de se afirmar no meio.

O post já vai longo…mas só o tema “mãos” daria para mais uns quantos posts. Para já, julgo que ficas-te munido de excelentes ferramentas para decifrares os mistérios das mãos.

Na 3ª parte vamos continuar a desvendar os mistérios desta linguagem incrivelmente fascinante…até lá…may the force be with you!



David Veríssimo

2 comentários:

Carla disse...

Está muito interessant Mr. Ninfo!Nunca me lembraria de pesquisar ou escrever sobre isso,well done!Yeah:)

Beijinho*Anna*

David Veríssimo disse...

Olá, Anna Montana!

Obrigado. Depois não te esquecas é de transferir os 50.000€ para o meu NIB que a vida custa a todos...

;)